segunda-feira, 29 de outubro de 2007
vai acima, vai abaixo...
Mentirosos ou idiotas, é-me igual.
Continuarei a abrir uma garrafa de espumante barato cada vez que um desaparecer.
made in eu
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
TODOS OS VÍCIOS
Aqueles a quem "cabe a sorte" de nascer o vício do trabalho, é como se ganhassem uma nova vida. Antes sonolentos, agora hiperactivos. Põem a mãe do vício no olho da rua, ingratos! Esquecem-se facilmente de como a preguiça é tão boa.
Outros há a quem lhes nasce o vício do sexo. Segundo um estudo da Universidade de Berkeley, metade destes são como os viciados no trabalho, são hiperactivos e lá se vai a preguiça também para o olho da rua. Dão-se ao trabalho de procurar mais e melhor, assumem um papel activo nos jogos sexuais. Outra metade, são bem mais compreensivos, mantêm a preguiça sempre consigo, a vida sexual fica sempre intimamente ligada a estar deitado, quanto mais vezes melhor, mas sem grandes trabalhos, o que vier à rede deitada ao mar é peixe.
Mas há ainda o vício dos vícios, que é a internet! Para que a preguiça seja recompensada há que desenvolver depressa um sistema de ligação directa do computador aos neurónios, porque isto de teclar é cá uma trabalheira! E assim até a dormir podíamos visitar sites onde o vício e a preguiça são coisas belas e inspiradoras dos sonhos mais lindos.
Fica aqui uma pergunta pertinente:
Para quando uma associação dos trabalhólicos anónimos, para ajudar estes a reencontrarem a preguiça.
- Mãe, és tu???
JP+P
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
É rei?
Naquela terra de cegos ninguém era rei. Não o era o que tinha um olho. Tampouco era o que tinha dois.
Um dia foram à caça e decidiram vender a todos os restantes, gato por lebre, que o comeram sem pão. Sem voz para apregoar, passou pela aldeia, o padeiro, e os habitantes nem o viram.
Assim reinava a paz, e não um rei, naquela terra de cegos.
Cláudia, essa, a formosura em mulher, permaneceria intocada para todo o sempre. O olho de um só tinha olhos para o de dois e os dois do outro para o de um.
Cláudia, sem ver o único que lhe podia valer, o padeiro, nunca o padeiro viu, e os amantes, por se recusarem a vê-la, eram, entre todos, os piores cegos.
made in eu
terça-feira, 23 de outubro de 2007
ANA MALHOA
Malha #1 - Ana e Rita, grandes amigas, até que um dia um assunto de calças as fez inimigas. Sem perdas de tempo, um fim de tarde em que Rita saía de sua casa para a habitual sessão de capoeira, apanhando-a a jeito, e munida de um belo cabo de vassoura, Ana Malhoa!
Malha #2 - Ana vivia bucolicamente na aldeia, sem stress e ocupando-se das tarefas do dia a dia rural, entre a horta e a capoeira. O seu padrinho ofereceu-lhe uma bezerrinha, que cresceu saudável nas pastagens. Mas era toda branca, por isso Ana Malhoa!
Malha #3 - Ana e Rita, grandes amigas, viviam na aldeia, sem stress e ocupando-se de tarefas do lar, entre a culinária e os lavores. A especialidade da Rita eram as carnes, a vitela de Lafões no forno. A especialidade da Ana eram os trabalhos com agulhas de tricotar, fazia botinhas para bebés e casacos. A alcunha da Rita era a "bezerroa", a amiga era a "Ana Malhoa".
JP+P
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
ele e ela
Nunca se apaixonou ele. Ela sim. Ele sentiu-se perdido. Ela triunfante.
Passaram pelo tempo, ele e ela. Ele satisfez-se sempre. Ela nunca.
O casamento pediu voto de fidelidade. Ele aceitou. Ela também. Ele cumpriu. Ela não. Ele ficou triste. Ela feliz. Ele desolado. Ela despedaçada; não a salvaram os médicos, nem Deus.
Ele não queria casar. Ela quis.
made in eu
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
18 de Outubro
made in eu
É DIFÍCIL RESISTIR
http://pftv.sapo.pt/showall/2/1/
É que são umas atrás das outras!!!!
Peço desculpa, mas estive a ler o famoso Arcebispo e estava lá a referência a isto, acho que se deve alargar a divulgação.
JP+P
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
17 DE OUTUBRO - LEVANTA-TE CONTRA A POBREZA
Avisam-se as pessoas mais caridosas, que se depararem com pobres a pedir de mão estendida, resistam ao impulso de lhes darem uma esmolinha, pois podem cair no fosso e as consequências poderão ser trágicas! Aconselham-se os donativos nas caixinhas de esmolas, que existem para o efeito, nas igrejas ou ainda os donativos através de agências bancárias, nomeadamente em bancos que desculpam dívidas aos clientes com problemas financeiros. Isto sim, é caridade segura!
JP+P
zé tó
Um dia, depois de um orgasmo, olhou bem fundo nos olhos da Conceição e emocionado perguntou:
-Queres dar o nó?
Ela, com os olhos molhados e sorriso parvo, acenou feliz que sim.
Então Zé Tó tirou o preservativo usado e passou-o para a mão da Conceição...
Elogre
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
crónicas de turim ou "gritar de fome"
1 Não vivermos com fome
3 Se não podemos comer ou vender tudo dentro do prazo devemos dar, vender, trocar com quem precisa
4 Precisar de comida é precisar de uma alimentação equilibrada e de comer em paz e de saciar a fome e de nos sentirmos nutridos
E depois sou a única também a perceber o que o professor diz na aula, ao ponto de conseguir escrever o programa informático que este pediu.
A fome é a guerra interna dentro de cada um e, sem a vencermos, não podemos ser agentes de desenvolvimento, nem de nos próprios
A propósito de fome, na semana passada a universidade gentilmente organizou uma recepção aos estudantes erasmus, com um buffet pequeno, mas que até tinha empregados a servir as bebidas! Logo aí dava para a maioria perceber que devia ter uma atitude delicada na degustação dos aperitivos Piemonteses (região italiana onde Torino se encontra). Mas, para não faltarem cá dignos embaixadores da esperteza saloia, logo cai sobre a mesa, para onde eu me dirigia, um bando de famintos portugueses dos quais o melhor exemplo foi a usurpação de um pires de amendoins por uma conterrânea que os engolia à mão cheia!
e a quem pergunto em bom português :"olha lá, tu não tens comida em casa?!!"
e ela, sem me olhar nos olhos, responde de costas curvadas e voltadas para a mesa e ao canto da sala, "ahhhh" (tipo: pois...por acaso...)
eu olhei-a com um misto de vergonha e pena já que tb sou portuguesa, e não gosto de passar fome, mas é pouco provável que lhe falte dinheiro para comer, mas deve faltar a consciência que, sem o fazer, não vai conseguir usufruir da viagem, das aulas, dos amigos, dos momentos pois falta a parte física da paz interna e sem a qual somos apenas animais famintos e com o único horizonte de saciar essa privação.
Rosina Ramos
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
disto e daquilo
Cada vez que Fernando pensava naquilo a casa não vinha a baixo. Nem a casa, nem a Trindade, e o Carmo ficava de pé.
Não sabia Fernando que, dois prédios depois da esquina, Amaro pensava o mesmo.
Pensar naquilo, com quem se jurara amor eterno, era odioso, mas deveria ser feito, quer pela não importância matrimonial, quer pelo poder de se ser homem, sem laivos de piedade.
O café da frente tornara-se o epicentro que os transportaria àquilo.
Não sabia Fernando que ela o fazia com Amaro. Mal sonhava Amaro que ela deixava fazê-lo com Fernando.
Aquilo não se fazia, ou devia, mas faziam-no, sem dever.
Cada um tinha pena do outro, sem saber dele, sabendo dela.
Estúpidas mulheres, pensava cada um enquanto naquilo.
Cruzaram-se na farmácia e pagaram o mesmo: sabão anti-bacteriano e um tubo de vaselina esterilizada.
Elas, enquanto não pensavam naquilo, bebiam um café, alguns metros afastadas; uma olhando de lado a saia da outra, a outra sorrindo, antes de chorar, da blusa de alguém.
Até quando se manteriam o Carmo e a Trindade?
made in eu
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Venha a nós o Vosso reino
As fatiotas do séc XVIII – creio - mostram onde parou o país.
Os aficionados pedem mais, e os imbecis, contentes pelo orgástico ambiente, galopam para espetar mais uma lança no animal.
As televisões, pouco iluministas, têm a sua própria corrida. As imagens mostram “tias” que, com toda a probabilidade, têm cornos maiores que os do animal que gostam de ver sangrar, e brilham pelos anéis e gargantilhas que não valem. Brilho proporcional às pegas que fazem os que lhos deram, com outras chocas.
Um ministro diz ser um orgulho colocar o país na linha da frente em matéria de energias renováveis. Outro, quer fazer chegar a banda larga a todas as escolas. Outro ainda, há-os para todos os gostos, ou desgostos, fala do défice monetário, do alto dum défice mental.
A quem querem passar a ideia de sociedade evoluída? Aos peões de brega? Ou aos grupos dos ridículos forcados que no frente a frente com o animal mostram andar mais sobre quatro patas que este?
Duas espécies de mentecaptos empedernidos glorificam a estupidez humana: os portugueses e as portuguesas.
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando…
Olha que não, Luís Vaz, olha que não.
made in eu
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
a sorte do mundo
a galinha, da cozinha
ou se porta direitinha
ou apanha com a asa
que o galo é o dono da casa
Sérgio Godinho
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
CRIMINOSOS
Vamos para a escola e os professores premeiam os mais organizados, incutindo em toda a criançada a importância da organização.
Diz-se que Portugal teria a ganhar se fosse mais organizado, o caos é sempre referido com uma conotação negativa.
Mas o pior é quando as forças policiais perseguem o crime organizado. Tanta pedagogia, e quando os criminosos se esforçam por fazer uma coisa digna de se ver, são perseguidos impiedosamente.
Não é muito, mas muito pior o crime desorganizado? Porque é que esse nunca aparece nas notícias?
Um dia o respeito será prestado a estes criminosos organizados, quando interromperem uma entrevista em directo ao Santana Lopes para mostrarem, bem em cima do acontecimento, uma rede de crime desorganizado a ser desmantelada!
JP+P
domingo, 30 de setembro de 2007
caminhando contra o vento
A vida pessoal era exposta por tristes. Tristes a liam. Tristes a comentavam.
Importavam-se que soubessem o que pensam e o que fazem, e não se importavam quem.
Fora com a psicanálise e com a confissão católica.
O meu amante e eu, escreveu Castelo de Cartas, na esperança que todos, menos o amante, o lesse.
Paneleiro, comentou uma. Fazes bem, comentou outro, ciumento. O teu blogue ganhou um prémio, atribuído por mim. Senti-me na obrigação; também o meu foi premiado. E agora um desafio: descreve-te a ti próprio quando estás no banho. Depois passa este dasafio a mais 5. Nasceu o meu segundo filho, comenta outro, mas a minha mulher não sabe.
Esparguete Azul diz ao mundo dos tristes que a sua maior alegria é sair de casa lavado e que sem tomar banho não consegue. Eu também não, que horror. Quem consegue, comentam 43 tristes.
Este mesmo blogue. Atente-se na quantidade de merda que aqui está escrita e comentada. Torram-se demais as piadinhas, mas nem isso faz com que esconda a todos os tristes aonde fui de férias e com quem, e o que comi, e o que vesti, e o que fiz na intimidade ou fora dela. E fotos não faltarão, que eu não minto.
Nenhum blogue, nem os deprimidos, nem as insatisfeitas, nem os celibatários, nenhum nem nenhuma triste, que somos todos, nos farão parar, nem nos fazer ver a triste alegria que é sentir que somos alegremente tristes.
made in eu
sábado, 29 de setembro de 2007
felicidade é...
Pressupondo que 500 sejam casados com estrangeiras e os restantes com portuguesas, acredito que 499.500 portugueses não podiam estar mais satisfeitos com a sua vida sexual.
made in eu
Dura Lex Sed Lex
O médico pergunta-lhe:
- Você tem prazer nisso?
Ela disse que sim.
Ele pergunta-lhe se sente desconforto. Ela diz que não.
O médico diz-lhe então:
- Não vejo razão para que não o faça, se é isso que gosta, desde que tenha cuidado para não ficar grávida.
A mulher ficou boquiaberta, e pergunta-lhe:
- Pode-se engravidar com sexo anal?
Responde o médico:
- Com certeza! Donde é que você pensa que vêm os advogados?
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
batem leve, leve, dentes
Com quantos tem na boca, em vez de, todos. Porquê?
Um político mente com quantos dentes tem na boca. Não são todos? Onde esconderá, então, o político, outros dentes?
O inspector Anastácio é chamado a investigar. Especialista em "desaparecimento dental", o inspector segue atentamente o discurso, não que lhe interesse o tema, mas para a observação cuidadosa dos movimentos da língua e nalguma saída de ar ou saliva da boca do orador.
Um molar falta. Um terceiro molar inferior, visto em outras ocasiões, não está presente no discurso sobre a economia familiar dos ciganos.
Certo o povo, errado eu.
Com quantos tem na boca, sim, todos não.
Anastácio, cigano ele próprio, come com os dentes que tem na boca mas não fala dos roubados, de ouro, que possui em casa num cofre.
Ainda um dia chegará a político...
made in eu
A embalagem e o trigo moído
Quando regressou, a realidade tinha-se tornado em algumas horas. Não encontrou qualquer pesadelo. Não é possível, disse ninguém. Mas era.
Era por algumas horas ninguém. O pesadelo regressou. Não encontrou o que era realidade, mas encontrou o tornado possível, disse.
E se não disse, não importa. Eu ouvi e também fiquei na dúvida. Que prefiro, a globeleza ou a Michelle Pfeiffer?
É tempo das TVs só poderem melhorar, arranjando novas repórteres, uma vez que, mais feias parece impossível, e mais estúpidas também.
Não era possível, disse. Mas foi.
made in eu
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
eu expli-cu, eu expli-cu
Cuidado com o porco voador
Só é presiso ter atenção para não deixar o porco no parque para bicicletas a comer as cadernagens às scooters como no filme do kusturica "Gato preto Gato branco" em que o porco recicla deliciado os cartões de revestimento dos carros construidos à pressa que em vez de lata eram de cartão.
Beijinhos roncos e lambidelas minhas do cão e do porco
Rosina Ramos
constataCão
terça-feira, 25 de setembro de 2007
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
IVAN LESSA
O nome da escritora é Patricia McCormick e seu livro The Honeymoon's Over (A lua-de-mel acabou), editado pela Little, Brown, custa 11 libras e 99 pence.
Não li todo, apenas o capítulo vital que deram no jornal. Patrícia escreve direitinho. Não é nenhuma Virgínia Woolf ou Simone de Beauvoir, mas tudo com o estilo de beletrista despachada.
Estou sendo condescendente, é verdade. Culpa dela. No trecho publicado sob o título “O marido eletrônico”, Patricia vai contando coisas de sua vida doméstica.
Diz que, quando as coisas não iam lá muito bem entre ela e o marido, gostava de passar as tardes sentadinha, lendo, com o gato no colo. Isso a divertia.
Nem gato nem livro ganham nome. Marido ganha: Paul. Patricia, embora fraca em dar nome aos bichos e livros, é boa de prosa descritiva. Tento dar uma deixa e já vou me desculpando pela tradução.
As delícias de um gato
"De vez em quando, o gato erguia seus olhos sonolentos em minha direção. Daí ele me fuçava e pressionava o cocuruto à parte debaixo de meu queixo. Outras vezes, ele ficava de pé, nas patas traseiras, punha as dianteiras nos meus ombros e me fitava com seus profundos olhos dourados. Meu coração se derretia ao contato com seu focinho molhado.”
Ligeira desconstrução
Eu avisei que a moça não era bem uma Clarice Lispector, para ficarmos em nossas letras, enquanto a reforma ortográfica (afinal, é ou não obrigatória? Tem multa? Pena de prisão?) não vem.
Tudo bem. Ou tudo mal. Patricia conta como, ocasionalmente, gostaria que o gato fosse o marido dela. Fazia até graça, chamando o bichano de “meu marido felpudo”.
Nessa linha, a coisa começou a me deixar meio preocupado. Patricia explica que havia algo instintivamente afetuoso e nada complicado na relação entre ela e o gato. Um pouco mais além, diz que mais de uma vez pensou em como tudo seria mais simples se ela fosse casada com o gato.
Hmm. Hmm. E mais hmm
Em poucas linhas, logo a seguir, Patricia narra os seus problemas domésticos. Briga aqui, briga ali, desentendimentos com Paul. Patricia e Paul, dois nomes bonitos, ela até que passável, a se julgar pela foto a cores que ilustra o texto, brigando à toa, como é sempre o caso.
Estão um pouco velhinhos para isso, quero crer. Mas ainda jovens suficiente para esperar uma vida toda pela frente. Parem com isso, gente! Disse eu para meu jornal, sentado na poltrona, sem nenhum gato – nem no meu colo, nem a meu lado, nem em lugar nenhum a vinte metros de mim.
Encurtando a história, Patricia se separou de Paul e foi morar sozinha num apartamento pequeno, não muito distante de seu “antigo lar”.
Segundo o arranjo do ex-casal, ela teria acesso uma vez por semana ao filho de 13 anos (que até agora não surgira na história e que também permanece anônimo) e, atenção, acesso também ao Gato, que eu taco em maiúsculos, como se fosse gente, que o bicho merece.
Patricia narra com tintas fortes sua ansiedade à espera do dia em que veria e ficaria por 24 horas com o Gato. Comprou casinha nova para ele, sua comida predileta, brinquedinhos.
O garoto de 13 anos sem nome? Sei lá. Sei que fazia parte do acordo entre ela e Paul (lembram quem é?) nenhum dos dois entrar num relacionamento com outra pessoa após a separação.
Depois de alguns meses, segundo a “patriciana” narrativa, ela começou a sentir uma forte necessidade de afeto. No que encurto a história e vou direto aos fundamentais da questão.
Tremendas vibrações
Patricia entrou numa loja especializada em artigos sexuais e começou a mexer em tudo, como criança com brinquedo novo. Eram vibradores pra cá e pra lá, chicotes, roupinhas de couro, calcinhas comestíveis (teriam com sabor de água de coco ou groselha?), todos essas coisas de que entendo muito pouco. Juro.
Patricia fala da vendedora auxiliando-a a escolher um consolador, conforme já foram chamados. Adianta que pegou um tamanho família, talvez, suponho, em memória da família que deixara de existir. As baterias vinham com o bichão.
A seguir, Patricia fala do novo romance. Não há outra palavra para o que se seguiu. Conta como preparava o jantar, acendia velas, tomava vinho e, depois, dirigia-se para o leito na companhia de “Big G”, pois esse era o nome, ao menos genérico, industrial, do novo companheiro eletrônico de nossa querida amiga.
Patricia entra, ou passa, pelos detalhes. Eu, não. Fala dos resultados. Como tudo mudou. Da felicidade reencontrada. Não fala uma palavra sobre o “Gato”, o que me parece ingratidão.
Quer dizer, acho, praticamente esquecido. Assim como filho e marido. Lua-de-mel, primeiros namoros, é sempre a mesma história.
No final das contas, Patrícia acabou se abrindo com o marido e contou tudo sobre ela e “Big G”. Paul foi compreensivo. Entraram num acordo, o casamento parcialmente reatado. Talvez até salvo. Todos vivendo felizes para sempre.
Menos o “Big G”, que não liga para essas coisas. Com as baterias em ponto zero, é uma nulidade em campo.
O que eu queria saber mesmo, Patricia não conta: e o Gato, hein? E o Gato?
Encerrada a sessão
O mundo é para aqueles que sabem conquistá-lo e, se a vida nos deu um limão, façamos uma limonada e não um frappé de coco, que esse não dá, mas não dá mesmo, meus queridos, embora seja muito mais gostoso.
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
A música
Uma homenagem a ti: a "minha" canção de sempre.
made in eu
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domingo, 16 de setembro de 2007
Cruzada contra a anatomia
Um fotógrafo disse que as mulheres eram o que mais bonito havia no mundo e que os gatos empatavam.
O senhor fotografava centerfolds – nenhuma portuguesa, que se saiba -.
Quais mulheres? Qual mundo?
A mulher ou é atraente ou repelente. As repelentes são de oportunidade. Os homens ficam com as repelentes quando as atraentes estão fora de alcance. O contrário aplica-se. As atraentes não querem homens repelentes, i.e. homens que não lhes ofereçam segurança . Por segurança entenda-se dinheiro. Assim, restos com restos ou últimas escolhas com últimas escolhas, parece-me correcta a teoria. Há demasiada gente descontente, ou parece haver, ou há só demasiada gente.
Amor têm-se aos filhos. A paixão dura pouco.
Atendendo a que a vaidade, a timidez, o amor-próprio , etc. derivam todos de uma sexualidade mais, ou menos, reprimida, segundo Freud, ou outro qualquer, a que propósito nos vendemos? Por um pouco de atenção. Por um pouco de farinha de trigo, diria alguém. Por um simples bilhete de comboio, acrescentaria outro mais atrás. Creio até ter ouvido, por um sorriso.
A consolação de não se ser infeliz para sempre serve de consolação por não se ser feliz nunca.
Até lá, as atraentes vão continuar a atrair todos os homens que não vão ter mais que mulheres repelentes, que por sê-lo, homens repelentes terão, numa cruzada contra a anatomia, até que separe a morte o que a vida separadamente juntou.
made in eu
entre as brumas
A selecção portuguesa de rugby canta o hino com maior “cagança” que a de futebol.
As prima donnas do futebol não dão importância ao hino nacional. Eu também.
Os jogadores de rugby são muito mais honestos, tenazes e valentes que os do futebol. E muitíssimo mais pobres. Gosto mais deles.
Mas os campeonatos, sejam deste mundo ou de qualquer outro, não são só para fazer figura de corpo presente. Por analogia, lembro-me de Vinicius: que me perdoem as feias…
Navratilova comentou: quem disse que perder ou ganhar, tudo é desporto, perdeu com certeza.
Os portugueses jogam melhor futebol que rugby. Muito melhor.
Do ponto de vista desportivo, acho uma fraude que uma selecção como a portuguesa possa participar num mundial de rugby. O interesse é o mesmo quando, em hóquei patins, ganhávamos a selecções por 50 golos.
Com a demonstração de que “os lobos” são, de facto, uma espécie em perigo de extinção no ecosistema da bola oval, a entoação de “a portuguesa” parece ser o seu último refúgio.
made in eu
sábado, 15 de setembro de 2007
Larry
Era-lhe quase insurportável tê-lo com a sua mulher. Sem ela, impensável.
Os gemidos, como se a magoassem, e os gritos, como se a matassem, eram uma tortura para Larry.
Os odores pareciam-lhe nauseabundos e o gosto dava-lhe vómitos.
As posições em que a mulher se punha, ou queria pôr, eram indecorosas e Larry mostrava sinais de um quase ataque de pânico durante o coito.
Porque não desistia de tal atrocidade?
Porque Larry amava, e o amor era mais forte que o ódio. Larry não tinha força, nem vontade, para desistir do fabuloso arroz de manteiga que a sua mulher cozinhava. Era um vício, uma dependência tão forte que, para não perder o cereal, perdia-se a si.
Não escondia o problema. A mulher deixava-o utilizar tudo o que precisasse para diminuir o asco; tampões no nariz, nos ouvidos, e uma venda nos olhos.
O desespero em não conseguir desistir do arroz de manteiga levou-o a prometer a Deus que, se algum dia o conseguisse, agradeceria da forma que julgava mais justa, e tornaria o sexo no seu Dia de Acção de Graças, i.e. na quarta quinta-feira de cada Novembro.
made in eu
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Bamos lá, primo!
Tu não achas que as pessoas se vendem por um pouco de atenção? Os blogues metem nojo. Ele é os divórcios, e as traições, e as não-ajudas-em-casa, e os filhos sem pai (isto porque como sabes e reconheces, é escrita de mulheres), e malandros, e férias, e todos os acontecimentos das férias, e o peido que saiu sem querer já dentro do avião em pleno vôo, e a solidão de se ser evoluído(a), em férias longínquas, e o malandro... dá-me uma dica, São. Vamos avacalhar mais e para todo o sempre as piadinhas? Vamos esmigalhar as torradinhas e misturá-las com Pau de Caneças, que é muito mais eficaz que o de Cabinda?Vamos gozar com os divórcios, as divorciadas e os divorciados? Os encornados e as encornadas? As que se fodem e as que se deixam foder? Os "artistas", como eu, que de segunda a domingo, das 7:30 às 24:00 não vão ao cu, nem por nada?
Eu alinho. E tu?
hehehe beijões acelerados e fodidos de raiva e carinho, a caminho.
made in nozes
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
A (quase) divina comédia
O palco da actuação é sempre o mesmo: um sofá. A posição, assumida pelos participantes, também: o homem vê tudo e a mulher nada.
Mas a "delícia" dos clips está no som. A conversação entre os intervenientes é hilariante. Transcrição pura de ridícula comédia.
O homem mostra-se muito compenetrado na acção. As mulheres parecem não dar qualquer importância ao acto, como, aliás, fazem quase sempre.
Os elefantes, quando querem acasalar, procuram o interior da selva. Os humanos deviam fazer o mesmo.
made in eu
domingo, 9 de setembro de 2007
ó rico primo do meu cú-ração!
Grazie, ragazza
made in eu
sábado, 8 de setembro de 2007
Amélia do(s) olho(s) doce(s)
Amélia preparou-se. Ultrapassar a fronteira do medo sem medo só porque ali era um descanso. E se não fosse? Amélia estaria na posição que mais gosta; a de descobrir prazeres novos, novas sensações, mesmo que a isso dedicasse algum esforço.
Decidida, Amélia partiu ao encontro do que mais procurava: descanso. E em busca do paraíso, entregou-se ao sonho e foi, sem esquecer o passaporte.
made in eu



