sexta-feira, 18 de maio de 2007

correspondência prima-viril

Publico aqui uma carta que recebi do meu primo, há uns tempos. Eu também sempre fui, como ele, pró-anti-materialista-comuno-fascista-eco-alternativa-ét(n)ico-franciscana. Por isso, votaria nele como "melhor português" e dava-lhe uma marretada se ele se atrevesse a não votar em mim como "melhor portuguesa"!
S
Cada cabeça...
Ou como dizia Vasco Santana no Pátio das Cantigas: "Outros tempos, Dona Rosa, outros tempos..."

Sabes qual é a merda, prima São?

É que eu sou pela liberdade. Eu acho um vómito tirarem-no-la, quer pela censura, quer pela cadeia, quer pelo medo. Amar, acima de tudo a liberdade, dizia Beethoven.
Dei-me muito mal na tropa. Era o irreverente que nem para os sargentos olhava. Sempre procurei fugir da estupidez com quanto pés tinha (e pena só ter dois) e acho que o regime antes do 25 de Abril era estúpido. Demasiado estúpido.

Mas explico-te agora a merda. A merda, minha pelo menos, é que sempre me fascinou a pobreza. Vai lá tu explicar isto aos olhos de qualquer iluminismo.
Sempre me aborreceu a fartura, sempre detestei casas grandes, sempre me chatearam carros novos e caros. Quando na primária o meu pai me dava uma Parker, eu queria uma BIC. Quando me davam 24 lápis-de-côr Faber, eu queria os da drogaria que custavam 10 vezes menos. Quando a malta ia jantar ao restaurantes da moda eu esforçava-me para não fugir e entrar na tasca.
Isto também é uma forma de vida, ou, pelo menos, de ver a vida, ou de vivê-la.
Eu admiro e acho louvável a Dona Maria do Salazar criar galinhas em São Bento. Quando Guterres saiu, encontraram-se facturas de 200 Kg de fiambre. Salazar só tinha a electricidade paga pelo estado. Todas as despesas do palácio eram pagas por ele.
Nas férias mandava alguém ir a Cascais saber os preços que se praticavam nesse ano no aluguer de casas para não ter de pagar muito menos, nem muito mais.
Não consta que tivesse construído qualquer palacete no ALLgarve, ou que fosse para as ilhas do Pacífico de férias. Ia algumas vezes para sua modesta casa em Santa, onde bebia o próprio vinho, comia as batatas da "sua" terra.
Salazar teve um educação cristã e eu acredito que a tivesse levado a sério.
Contra ele tenho a ideia do estado português. Detesto estado. Detesto governantes. Nunca fui, nem sou patriótico. Tenho a certeza que se tivesse vivido no seu tempo, teria sido preso pela escumalha de nojentos que eram a PIDE.

O elogio a Cunhal vem exactamente pelo mesmo motivo: determinação, luta por ideais e total desprezo pelo dinheiro. Também o admiro a ele. Também contra ele lutaria se fosse ele o chefe de estado.

Dêem-me liberdade. Mas também estes não dão. Querem-me multar porque não tenho o colete reflector no carro (essa ridicularidade com que nos vestem quando temos que sair do automóvel, até em pleno dia, até em plena Avenida da Liberdade). Inventam-me multas nas Finanças e ainda me ameaçam com penhoras. Não me querem deixar usar colher de pau, ao abrigo dos anormais de Bruxelas. Não me querem deixar comer chouriço do fumeiro, ao abrigo de qualquer outra lei. Não posso fazer isto, nem aquilo, nem o outro, sem que me peçam dinheiro ao abrigo de uma qualquer lei, feita e aprovada por eles, para depois virem dar 2.4 milhões de euros de indemnização ao Horta e Costa, e muitos mais milhões se seguirão a muitos outros seguidores.

Pela política, tanto cago nuns, como cago nos outros.

O Salazar não queria oposição. Estes não se importam, desde que lhes paguemos.

A biologia é a justiça suprema. Felizmente nessa ninguém manda. Estou quase a agradecer a Deus por ela.

E como cantava a eterna Amália: Não é desgraça ser pobre. ....... eu até gosto. :-))

Beijos da amizade que paira acima dos estados e das fronteiras. E se um dia me quiserem pôr numa cela, ponham-me (mas deixem-me levar a Playboy).

Sempre teu primo

prioritário

Sem pilhas o leitor de música não funciona, e sem leitor de música os headphones não tocam, e viajar nos transportes públicos torna-se num bombardeamentos de conversas que não podem deixar de ser ouvidas (conselho a mim próprio: nunca deixar acabar as pilhas).

Temas: doenças, análises, exames médicos, operações cirúrgicas, mais exames e mais TACs e mais análises.
Não é possível! Para qualquer lugar do vagão que se vá, ouve-se falar de médicos, de análises, de exames, de doenças, de doenças, de doenças. Eu desejo-lhes mais um exame; mais um não lhes fará diferença: sigmoidoscopia para todos.

Quanto a mim mudei as prioridades da minha vida: Pilhas. Pilhas de pilhas. Que nunca me faltem pilhas. Se alguém me vir sem elas avise-me. As pilhas são o meu mais bem essencial nos dias que correm. Sem elas, a surdez ajudaria, mas receio que com a surdez me visse envolvido em análises, exames e médicos.

made in eu

EGOÍSMO

Sou egoísta! Quero-o só para mim! Sexo é demasiado bom para dividi-lo com mais alguém.

made in eu

quinta-feira, 17 de maio de 2007

weather report



Hoje está um caloralho!

(r me dicit)

S

A menina do Algarve...

A menina do Algarve…

Anda toda a gente à procura da menina do Algarve! A PJ não pára. Sabe-se já que o desaparecimento da menina está ligado a motivações sexuais (leia-se: pedófilas). Até agora, os suspeitos são todos estranjeiros, ingleses, russos, polacos, etc.
A minha primeira reacção foi de pensar que isto são coisas de estranjeiros bárbaros (leia-se que não falam línguas latinas), mas a consciência trouxe-me à memória o Carlos Cruz, o Paulo Pedroso, e alguns dos muitos amigos deles.
Bom, concluí, numa breve reflexão: se calhar é nisto que dá não castigar-mos os nossos pedófilos; é como se fizéssemos um convite aos pedófilos estranjeiros para virem passar umas férias por cá, em segurança.
Quem, que, como nós, convive tão bem com a própria pedofilia não se ofende com a dos outros.
Dentro de pouco tempo, António Costa, um dos amigos de Paulo Pedroso, um dos que tudo fez para romper o segredo de justiça (leia-se: “estou-me cagando para o segredo de justiça”) quando achou necessário salvar a pele do seu amigo, vai candidatar-se à presidência da Câmara Municipal de Lisboa. E vai ganhar, Porque se a pedofilia não nos envergonha, os amigos dos pedófilos, nossos amigos são.
Acontece, que da minha parte (leia-se: porque sou preconceituoso), não sendo eleitor da minha cidade natal, vou, pelo menos, rasurar a certidão de nascimento, e dizer que nasci em Tanger, Marrocos, onde morreu o último dos portugueses.

JC

quarta-feira, 16 de maio de 2007

cartões

Vivemos no mundo dos cartões. Alguns dão jeito, outros não.
De todas as cores e um só feitio. Carteiras recheadas deles; nalgumas todos arrumadinhos, noutras todos num molho.
A "pequena" parece coleccioná-los. Na sapataria apresenta um, no supermercado outro. Num supermercado diferente mais um diferente cartão. Cartão de perfumaria, da livraria e do centro comercial. Até para as "bicas" tem um cartão que dá desconto (da FNAC, juro!).

Não gosto de automóveis e ainda menos de conduzi-los. Quando tenho de o fazer fico sorumbático e pior ainda quando reparo que a gasolina está no fim. Um chorrilho de palavrões são ditos; para dentro, se estou acompanhado; boca fora, se sózinho.

Outro suplício: abastecer o carro de combustível.
Confesso que controlo melhor, ainda, as últimas gotas de urina que de gasolina. Tudo não é suficiente para evitar que caiam nos sapatos, ou no chão, ou em cima do automóvel.

Guardada está a fatia para quem a há-de comer, sabe-se.
De todos os cartões, existentes e por existir, nenhum me torna mais neurótico que o dos pontos de combustível, que sempre recusei ter.
Não bastasse já a espera da demorada ligação do multibanco, que me faz ver as capas das revistas cor-de-rosa, os preços exorbitantes dos chocolates e as marcas de preservativos disponíveis na estação de serviço, ainda o "senhor da frente" apresenta o cartãozinho odioso que parece receber os pontos à razão de um por hora.
Rogo pragas. Só eu as oiço; eu e Deus, a haver... Peço-Lhe o extermínio dos cartões. Abomino-os. Um beijo de uma portuguesa não me incomodaria tanto.

made in eu

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Lunar

Tinha decidido pôr termo aos escritos em blogues. Afinal eram para mim, que interesse poderiam ter para mais alguém?
Voltei. Talvez pela última vez, mas não menciono Saramago pela primeira: A humanidade sofre de uma qualquer doença mental desconhecida. - ouvi-o dizer - É a única explicação para o que vemos e ouvimos na nossa "curta" existência.

Um americano decidiu registar-se como dono do sistema solar, excepção à Terra e ao Sol. Vende terrenos da Lua, parece que com bastante sucesso.

Confesso não ter resistido a sorrir. Roth não sorri em público; fá-lo às escondidas.
Não possuo a capacidade do meu escritor preferido.
Há gente a comprar hectares lunares! Gente que não é gente(?), e há gente mesmo assim.

O ego inchado de uns é o encolhimento imparável do meu.
Estou tecnicamente morto para o mundo. Perdi o "comboio da evolução" - chamem-lhe modernidade -.
Não sei viver com as regras do jogo.
Acordo. Afinal as regras são as minhas; as mesmas de sempre. Só alguns sabem que são donos da Lua e, mesmo esses, não pisarão a terra lunar.

Decido ouvir uma canção. Mais que um qualquer moderno banco de dados, a minha memória passa uma vida numa música: sentimentos variados, sensações e, quase, lágrimas.

Não sou dono da Lua, mas não perco tudo. Tenho vontade de sorrir mas não o faço. A Lua não é dona de mim e, ao contrário de outros, não vivo nela.

made in eu

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Por falar de raptos

O sítio mais seguro do mundo contra raptos é o novo eléctrico da margem sul, entre a Cova da Piedade e Corroios (magníficos nomes de terras!!) i.e. não transporta ninguém para raptar, nem ninguém para ser raptado.

É o maior exemplo de imbecilidade de gestão camarária.

made in eu

terça-feira, 8 de maio de 2007

a zero !

Final do campeonato paulista de futebol. O Santos campeão. A entrega da taça. 4 "meninas" brasileiras enfeitavam a cerimónia.
Do Brasil não temos a violência, nem as favelas, nem a corrupção, nem os "bicheiros", nem os índios Temiminós.
Mas no que às mulheres diz respeito, qualquer que seja o score, nós ficamos a zero contra eles.
Simplesmente, a comparação não é sustentável.

made in eu

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Allons enfants de la patrie

De França chega-nos mais um acto de arrojo de um povo heróico.
Olhar para o boletim de voto e, entre as fotos de Sarkozy e de Segolene, escolher o primeiro demonstra uma frieza, uma coragem e uma bravura que eu não teria tido...

E assim sendo: Vive la France!

made in eu

ilha

Nunca fui à Madeira.
Alberto João Jardim faz-me rir. Gosto de pessoas que me fazem rir.
A Madeira tem obra feita, dizem. O desenvolvimento equivale a estradas e túneis novos.
O governo da república cortou as verbas ao regional.
Em Portugal valoriza-se a mediocridade e acusa-se Jardim de mau exemplo. Os madeirenses parecem gostar dele. Rir-se-ão como eu?
Tirando a comédia, os discursos são tristes e saloios.
O governo da república não me faz rir mas faz estrada e túneis novos e recebe verbas da União europeia. A União Europeia valoriza a mediocridade.
Pretendo saber mais nada da ilha. Não me interessam estradas e túneis novos, nem discursos tristes e saloios, nem verbas cortadas.
O meu maior desejo não é não ir à Madeira. No entanto, farei tudo para não ir. Continuarei a rir-me de longe. Daqui já a acho insuportável; imagino se lá fosse...

made in eu

ALLGARVE

É justo dizer-se que a miúda, inglesa, foi raptada no Allgarve?

JP+P

sábado, 5 de maio de 2007

A MALTA TEM QUE SE IR PREPARANDO

A verdade é esta: o tempo corre sem parar, o tempo não pára.

Já faltou mais para o dia de S. Nunca!

ERRARE HUMANUM EST

É precisamente este o meu problema com a administração pública, incluindo a justiça: é que temos um sistema demasiadamente humanizado, profundamente humano e com tendências humanitárias.

JP+P

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Hotel de Ville


A foto das fotos da mais íntima das intimidades.
made in eu

quinta-feira, 3 de maio de 2007

A mais triste democracia

Às 7:45, o eléctrico que fazia o percurso entre a Cova da Piedade e Corroios levava 1 passageiro.

Depois de anos de martírio com o trânsito. Depois de mudarem completamente a paisagem urbanística. Depois de gastar, sabe-se lá quanto. Depois de apregoarem, aos quantos ventos que por Almada passaram, que haveria um Metro (insistem em chamar-lhe Metro) perto de nós, os eléctricos (coloridos e atraentes) transportavam mais gente aquando dos ensaios - o instrutor e os aprendizes - que agora - o operador e o passageiro -.

Se há prova mais viva que a democracia pode por vezes conduzir ao desastre, a Câmara Municipal de Almada é o exemplo mais notável.
Por mais degradante que seja a vida no concelho, por mais ridícula que seja a gestão, por mais "brilhantes" que sejam as ideias demontradas totais fracassos, os dirigentes continuam a ganhar eleições. É uma Madeira na margem sul do Tejo, de que ninguém fala.

Recordo-me das palavras de Mainardi sobre o PT. Também eu reconheço assim a gestão comunista de Almada: que não são "grande coisa", não resta qualquer dúvida. Mas o mais absurdo e revoltante é que, apesar da maior incompetência, no que quer que façam, ainda se julguem melhores do que os outros.

A minha receita para suportá-los é: chá de valeriana e pensar em palhaços.

made in eu

quarta-feira, 2 de maio de 2007

O elogio do preconceito

O elogio do preconceito.

Num país em que quase todos se arvoram de não possuírem preconceitos, eu:


-- Chamo-me JC e sou preconceituoso.

Os meus preconceitos são as leis da minha conduta. Isso não faz de mim racista, entre uma africana bonita e uma caucasiana menos bonita, não hesitaria. Aqui, o meu preconceito é estético. Só um homem verdadeiramente sem preconceitos não saberia escolher entre uma mulher feia e antipática e uma mulher bonita e simpática; também por isso, eu prezo muito os meus preconceitos. Mas não só por isso, é que eles podem impedir-me de passar por um perfeito imbecil, por exemplo:

Perante uma detenção, numa manifestação, de alguns rapazes com “garrafinhas molotof “ na mochila ou bastões por dentro dos blusões, um tipo verdadeiramente sem preconceitos diria que é natural, desde que não façam mal a ninguém… E confessaria que também ele tem as suas idiossincrasias, que costuma vestir as cuequinhas da namorada aos fins-de-semana e feriados religiosos: Mas eu, não. Uma chapada nos gajos das mochilas e outra nos gajos das cuequinhas. Sou assim, desculpem.

Tenho inclusivamente os meus preconceitos de estimação relacionados com algumas instituições ou pessoas, de que posso dar alguns exemplos:

PS – Partido Socio-Pedofilista.

Paulo Pedroso – inocente o “cara…!”

Catarina Furtado – Rapariga bonita que nunca me deu pica, não sei se por não lhe conhecer uma única frase inteligente, se por não ver os programas idiotas que apresenta.

Justiça – Processo pelo qual se consegue tornar inocente um pedófilo ou um corrupto, especialmente se um ou outro acumularem a acusação de “actividade política”.

Francisco Louçã – “El Charro” aborcionista, que fuma para esquecer que já não tem o tema do aborto para falar.

Eugénia Mello e Castro – Suposta cantora que tem mais discos editados que vendidos.
Claro que podia continuar…

Os preconceitos são como a expressão sexual humana, é uma coisa natural e manifesta-se nas mais variadas formas. Mas, como tudo na vida, tem regras, pelo menos para mim, que:

-- Chamo-me JC e sou preconceituoso
.

errare humanum est

Errar é humano. Ninguém é mais humano que os portugueses. Errar em nós tem métodos científicos. Somos imbatíveis na ciência do errar.

Governos e tribunais. Empresas públicas e privadas. Polícias e políticos. Militares e civis. Etc e etc.

O erro é humano e existe em todo o lado nos inexistentes lados do esférico planeta. A forma mais grave acontece porém nestas latitude e longitude. Por quê? Porque somos os mais selvagens em civismo.

A liberdade individual é o maior bem. “Levar” com os portugueses, o pior.

De onde nos virá a ideia que passarmos por cima de tudo e todos nos faz viver melhor?

Uma ideia de uma administração transforma a vida de tantos num quase inferno. Por vezes custa-me acreditar que os senhores que vejo falarem na televisão (muito poucas vezes, valha-me isso) sejam tão mais idiotas que parecem.

Um exemplo foi a nova decisão do metropolitano de Lisboa exigir a todos o cartão Lisboa Viva.
Para obter o cartão deve preencher-se um formulário que até inclui o numero de telemóvel e o endereço de email. Nem seria necessário dizer que antes queria andar a pé... Que interesse poderá ter uma empresa de transportes em saber tais informações para vender um bilhete (no caso, mensal) a um passageiro?

Anunciaram nos comboios da Fertagus que o novo cartão seria gratuito a quem possuísse o cartão anterior, desta empresa, dentro da validade.
Depois de entregue o formulário incompleto e uma foto “tipo passe” fui buscar o novo cartão, cujo interesse me era nulo.
O cartão tem a data de emissão de Abril e é válido por 6 meses, i.e. até Outubro.

Perguntei o porquê de tanto trabalho, para mim e para a empresa, para um cartão com uma validade de 6 meses.
Mas foi gratuito, disseram-me. Mas eu não o pedi, disse, foi a empresa que decidiu que seria obrigatório utilizá-lo a partir de hoje.

Compreendi que a validade do novo cartão tem a mesma que o anterior que acabava em Outubro. Tudo isto para que daqui a 6 meses tenha de pagar 6 euros por um novo! Por 6 euros! A administração desta empresa sabe mesmo como fazer dinheiro. Espero só que não me obriguem à humilhação pessoal de me fazerem sentar num banquinho, dentro de uma cabina, em que o melhor mesmo é correr a cortina, para me sentir isolar do mundo, para nova série de 4 fotos.
Pedindo desde já perdão pela linguagem, mandá-los-ei, literalmente, levar no cu.

Compreendo a ignorância pela falta de oportunidades de demasiados “infelizes” neste país. Mas nunca conseguirei perdoar a estupidez.

Utilizando as mesmas palavras que um dia ouvi a Sttau Monteiro: Cometi dois grandes erros na minha vida; o primeiro foi ter deixado a Inglaterra para vir para cá; o segundo foi ter cá ficado.

made in eu

Alma minha

Baseado em escritos de Woody Allen.

Em três noites seguidas, a alma abandonou o corpo e foi divertir-se. Na quarta noite, foi o corpo que abandonou a alma.

O tio, músico, adormeceu profundamente, e acordou na secção de cordas da orquestra sinfónica de Berlim, onde ficou 22 anos apesar de só saber tocar o Yankee Doodle.

Em Annie Hall, declara que foi expulso num exame de metafísica por ter sido apanhado a espreitar para a alma do colega sentado na carteira ao lado.


Alma, santa alminha, doenças da alma, psiquiatras, mediuns e dores da mesma.

Temos mesmo uma alma? Ou somos nós a alma que temos? Mãe tem com certeza – mãe da minh’alma – diz-se muito em muitas terras.

Do negócio conhecemos todos a alma, mas duvido se estudos, ou crenças mais profundos, valem a pena, excluindo, obviamente, se ela não é pequena.

Acredito piamente que o tamanho dela não preocupa tanto os homens como o tamanho da outra.

Ah! Afinal havia outra? E dele, gentil, que partiste tão cedo...

made in eu

Pelo sim, pelo não

Que relações temos com a nossa pilosidade?

Uma prateleira cheia de depilatórios para homens! Em pleno supermercado: gel e espuma, em latas e frascos de todas as cores.

Estranho. Um calvo, na registadora, compra ampolas para travar a queda do cabelo e uma lata de espuma depilatória, imagine-se para quê... Que pelos quer um homem eliminar? E porque luta tanto contra perda de outros?

Na TV, um programa mostra, com grande detalhe, a depilação, com cera, dos pelos púbicos de uma mulher. Pelos púbicos arrancados com cera!

Jerry Seinfeld mostra-se boquiaberto: como podem as mulheres arrancar os pelos das pernas e das virilhas com cera quente e ainda assim terem medo de uma aranha?

Eu apenas me confundo com a incapacidade que temos em aceitar o que é natural.

O sofrimento por um ideal de beleza que é absolutamente atropelado pela ignorância da estupidez e da liberdade de cada um, assim deve ser.


made in eu

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Play it again Sam

Do filme "Play it again Sam":

Um homem, completamente desesperado, para arranjar uma mulher, depois da dele o ter deixado, entra numa galeria de arte, aproxima-se e tenta "meter conversa" com uma solitária, perguntando-lhe algo sobre a obra à frente deles. Ouve-a dar uma explicação com um vocabulário "artístico" e de sentido duvidoso. No fim da narração, pergunta-lhe ele:

- Tens planos para Sábado à noite?
- Sábado à noite vou-me suicidar.
- Então e para Sexta à noite?

made in eu

sexta-feira, 27 de abril de 2007

A Criadora

São, a criadora deste blogue.

Só ela: uma torradinha e uma piadona.

Um beijo do primo

made in eu

São Veiga em ; www.pedropalma.net

desaparecer

Depois de chegar à conclusão que a coerência é impossível de alcançar, desaparecer do mundo é a solução mais espiritual.
Nem todos pensam assim, ou só eu penso assim, não importa. Há alguém de quem gosto mais que de mim, pelo que não posso desaparecer por minha vontade.

Isto é o que faz ouvir o 3º andamento da 3ª sinfonia de Brahms logo de manhã, antes de beber café. Dá-me para pieguices.

made in eu

quinta-feira, 26 de abril de 2007


Adoro-te. E porque te adoro, prefiro que me odeies por te dizer a verdade, do que me adores por te contar mentiras.
Pietro Aretino (1492-1556)
made in eu

Aqui del-rei !

Nada mais pernicioso para as populações que dispor dos serviços de empresas municipalizadas.

É quando oiço alguns deputados no parlamento falarem em políticas para o país, que mais me lembro das antigas escarradeiras nos cafés.

Para o país? Nem um concelho conseguem gerir, de jeito.

Creio que se tivessem um dia o poder, deixariam o país a pão e água.

Bem, a pão talvez. A água, nem vê-la.

made in eu

cientistas

Espanto-me com esta busca incessante dos cientistas para encontrarem planetas com vestígios de água.

Como se não se tivesse já "crescido e multiplicado" suficientemente a água no nosso, ainda querem fazer o mesmo à dos outros?

Às vezes custa-me acordar para a vida...

made in eu

terça-feira, 24 de abril de 2007

Abril

Quase três períodos de tempo, iguais ao que tinha vivido até então, passaram já desde 25 de Abril de 74.

Por mais esforço que faça, não me consigo lembrar do que fiz a 23 de Abril desse ano, nem como foi o 24, mas do 25 recordo-me bem. E do 26, e do 27, e, principalmente, do 1º de Maio logo a seguir.

Pobre povo idiota de sempre... Não foi esperança que Abril lhe deu, apesar de ser o que se pensava, mas sim liberdade.
O 25 de Abril deu-nos liberdade. Como um cão a desfazer a bola de trapos, como uma criança que parte o brinquedo, como um pássaro que sai da gaiola e parece não saber voar; parecia não se saber o que fazer com ela. Não interessava saber. Eu vi a alegria das pessoas, vi o alívio das mães pelo fim da guerra, vi a idiotice da desgraça misturar-se com a desgraça da idiotice mas liberdade era aquilo. Aquilo mesmo.

O testemunho mais comovente vi-o na televisão, contado por o mestre de um Cacilheiro. Estava de serviço nesse dia e assitiu ao evoluir dos acontecimentos a partir da ponte do seu navio. Desde a chegada das tropas até à rendição no Carmo, sempre entre o vai-e-vem das travessias. Quando no fim do dia teve a certeza que a ditadura tinha acabado, sentou-se num pequeno banco de madeira que tinha na ponte e, agarrado ao leme, chorou.
É assim a alegria da verdade...

A passagem pelo tempo nubla a memória. A esperança confundida no turbilhão do momento.
Nem tudo é melhor agora. Antes de Abril de 74, os engenheiros eram engenheiros. Lisboa era mais bonita. A comida melhor, incluindo a dos pobres.

Mas como disse alguém: quem sacrifica a liberdade pelo dinheiro, não merece nem o dinheiro, nem a liberdade.

A alegria esfumou-se em pouco tempo. A estupidez, sempre a mesma, mas com laivos de seriedade e competência, trouxe-nos ao que somos hoje.

Mas aqueles dias jamais se apagarão.

made in eu

Nota: Minha singela homenagem à alegria a que assisti, com Ary, pois claro.



José Carlos Ary dos Santos

Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos

vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
Era uma vez um país

onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.
Era uma vez um país

de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.
Ali nas vinhas sobredos

vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.
Um povo que era levado

para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.
Ora passou-se porém

que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Era a semente da esperança

feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.
Era já uma promessa

era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Esses que tinham lutado

a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.
Não tinham armas é certo

mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação
uma pistola guardada

nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte f
az com que a força da vida
seja maior do que a morte.
Quem o fez era soldado

homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Posta a semente do cravo

começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.
Foi então que o povo armado

percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.
Pois também ele humilhado

em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.
Era preso e exilado

e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.
Capitão que não comanda

não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite–
pode nascer um país
do ventre duma chaimite.
Porque a força bem empregue

contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue–
é força revolucionária!
Foi então que Abril abriu

as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.
Disse a primeira palavra

na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.
E então por vinhas sobredos

vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados «páras»
que não queriam o degredo
dum povo que se separa.
E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam.
Em idas vindas esperas

encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração.
Dizia soldado amigo

meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão.
Foi esta força sem tiros

de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.
Foi esta força viril

de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer.
E em Lisboa capital

dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.
Mesmo que tenha passado

às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
E se esse poder um dia

o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.
Essas portas que em Caxias

se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.
Agora que já floriu

a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.
Contra tudo o que era velho

levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
Quando o povo desfilou

nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.
Mas eram olhos as balas

abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.
E o grito que foi ouvido

tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.
Contra tudo o que era velho

levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
E então operários mineiros

pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.
A seu lado também estavam

jornalistas que escreviam
actores que se desdobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.
Porém cantar é ternura

escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.
E uns e outros irmanados

na mesma luta de ideais
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.
Entanto não descansavam

entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio fazia
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.
Foi então se bem vos lembro

que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.
E foi um mosto tão forte

que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.
Ali ficámos de pé

juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.
Ali dissemos não passa!

E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.
Foi a força do Outono

mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.
Foi a força dos mineiros

pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.
Desde esse dia em que todos

nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos—
cumpriu-se a revolução.
Porém em quintas vivendas

palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.
Por isso o onze de Março

foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos.
E tivemos de pagar

com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.
Fugiram como cobardes

e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha.
E aqui ficaram de pé

capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
aprenderam Portugal.
Os tais homens que sentiram

que um animal racional
opõe àqueles que o firam
consciência nacional.
Os tais homens que souberam

fazer a revolução
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.
Os que viram claramente

e com os cinco sentidos
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.
Os tais homens feitos de aço

temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.
Essa história tão bonita

e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.
Dai ao povo o que é do povo

pois o mar não tem patrões.
– Não havia estado novo
nos poemas de Camões!
Havia sim a lonjura

e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.
Foi este lado da história

que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram
das naves que transportaram

o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.
Por saberem como é

ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.
E em sua pátria fizeram

o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalho crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios dum
país que vai nascer.
Mesmo que seja com frio

é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser
pensar que somos um mar

que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.
No Minho com pés de linho

no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pé do Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!
É isto a reforma agrária

em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.
Quem a fez era soldado

homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
De tudo o que Abril abriu

ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.
Na frente de todos nós

povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.
Ouvi banqueiros fascistas

agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!

Lisboa : Ed. Comunicação, 1975



segunda-feira, 23 de abril de 2007

Heil Hitler !

Ouvi José Pinto Coelho, do PNR, dizer que não interessa se se é careca ou gadelhudo, desde que se ame Portugal, todos têm lugar no seu partido.

Como se não bastasse tudo o resto, aí está uma vertente que me põe em sentido oposto. Eu não amo Portugal. Aliás, eu acho Portugal um nojo. Não é pela sociedade portuguesa que aqui vivo e muito menos, mas mesmo muito menos, pelo PNR.

Contudo, votaria contra qualquer proposta de eliminação do partido. Todos temos, ou deveríamos ter, direito às nossas ideias, ou às dos outros, a odiar quem quisermos, a ler tudo o que tivermos vontade, a adorar quem, e como, amarmos adorar.

Não me incomoda nada que os elementos do PNR tenham em casa, ou em sede própria, bandeiras nazis, bustos do Hitler, suásticas desenhadas na pele.
Coloquem na parede um poster gigante dos prisioneiros em Auschwitz e masturbem-se em grupo, se isso lhes dá prazer.
Vejam filmes do KKK e babem-se.
Procurem em sexshops, bocas de silicone e pintem-lhes um bigodinho; nada poderá dar mais prazer a um nazi que uma boa chupada do grande líder.

Todos devemos poder ser livres na nossa imaginação, sem que sejamos, por isso, perseguidos.

Mas se apenas um levantar um dedo que seja, para tocar em alguém, português ou não, negro ou não, com o argumento de amarem Portugal, devemos lembrar-nos que ninguém tem culpa que estes doentes mentais existam e que com o mesmo direito que têm de pensar livre, têm o dever de não se intrometer na vida de quem quer que seja.

Caso contrário é acabar com eles a fogo e não deixar um vivo.

made in eu

domingo, 22 de abril de 2007

todos iguais

Excluindo a estética, e as ideias pré-concebidas, sexo anal entre dois homens é exactamente o mesmo que entre um homem e uma mulher.

made in eu

Só mesmo...

Mais estúpido que se acreditar na honestidade de um político, só mesmo as mulheres irem para a tropa.

made in eu

lições orgásticas

Que sabemos nós os vivos do que é estar morto?

Mario Puzo escreveu em "Fools Die" que o orgasmo da mulher é a lava a escorrer pela encosta abaixo enquanto o do homem é a explosão do cume vulcânico.

Uma revista feminina anunciava: "Como obter um bom orgasmo".
Eu nem sabia que havia maus orgasmos!

Nunca saberemos o que sente o outro género nem o que sente cada indíviduo do nosso. Não adianta tentar saber mais. Dor e prazer não se exprimem por palavras.

Sexo é procriação e instintivo. É esta a natureza dele e basta olhá-lo atentamente na natureza.
Mas nós, na nossa imensa estupidez, criámos até uma "vida sexual", e com ela todo um lixo de vivência. Fica por explicar a vontade dos virgens.

Se um dia se provar que há vida depois da morte, estou certo que alguma revista anunciará como obter um bom orgasmo no além.

made in eu

sábado, 21 de abril de 2007

mais Seinfeld

Nós não queremos realmente visualizar os nossos pais a ter sexo. É demasiado desconfortável.
Sabemos que eles tiveram que ter sexo, pelo menos uma vez, para que nos tivessem a nós, mas ainda assim queremos acreditar na possibilidade: ". Bem, não sei. Não tenho muita certeza. Não posso prová-lo. Na verdade não sei se isso realmente aconteceu". Daí que se descobríssemos que tínhamos sido adoptados, seriam notícias maravilhosas. "Adoptado eu? Fantástico!" Isso quereria dizer que, pelo menos tecnicamente, haveria uma possibilidade de a nossa mãe e o nosso pai serem, afinal, somente grandes amigos.
Não que o sexo não seja uma coisa maravilhosa. É! Mas nós não queremos pensar que toda a nossa vida começou só porque alguém bebeu um pouco mais de vinho ao jantar.

made in eu

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Agradecido

Estou grato pelo riso, excepto quando o leite me sai pelo nariz.

Woody Allen


made in eu

Be happy

Há tantas noites como dias, e tão grandes aquelas como estes, no decorrer do ano. Uma vida não pode ser feliz sem uma dose de malancolia. A palavra "feliz" perderia o seu significado se não fosse equilibrada pela tristeza.

Carl Jung


Ou como as últimas palavras de um anarquista francês, já nas escadas para a guilhotina:

- É bela a agonia dum homem.


Também não é preciso exagerar :-)

made in eu